quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
 Queria ser adulta, ter os meus compromissos. Sair com minhas amigas, andar sozinha na rua. Sair a noite, ir ao shopping, ao cinema com amigos. Achava legal essa coisa de poder dormir na casa de amigas, de festa do pijama. A princípio, achava beijo uma coisa nojenta, mas depois, eu queria crescer logo pra namorar. Ganhar aqueles ursos de pelúcia enormes de presente de aniversário de namoro. Usar um anel prata no dedo anelar. Achava o máximo ver aquele casal de namorados se divertindo, chupando sorvete e conversando na pracinha. Era divertido ver marido e mulher se divertindo na rua com os bebezinhos, crianças se divertindo com cachorrinhos etc. Eu queria muito crescer. Ter meus dezoito anos, sair pra baladas e chegar em casa tarde. Eu queria ser feliz. O tempo foi passando, e meu desejo foi tornando realidade. Lembro-me quando me levantei de manhã da cama e corri pro banheiro, estava apertada demais. Sentei no vaso e me desesperei quando vi um líquido vermelho sair de mim. Gritei minha mãe o mais alto que pude e ela veio depressa, assustada com meu grito. Eu mostrei a ela e contei o que tinha acontecido. Ela sorriu pra mim toda boba e disse: minha menina está ficando mocinha. Eu franzi o cenho, que diabos ela queria dizer com aquilo? Ela riu da minha cara e me explicou o que estava acontecendo. Ela pediu que eu esperasse no banheiro e logo depois veio com uma coisa super esquisita, meio de algodão sei lá e colou na minha calcinha. Estranhei, aquele negócio me incomodava demais. Toda hora ouvia minha mãe murmurar: anda direito, não precisa andar toda dura ou de pernas abertas. Isso é natural. Eu rolei os olhos, mas que merda! Eu não queria aquilo, me incomodava, dava coceiras e era nojento! Nojento demais! Me dava náuseas quando eu ia me secar ou até mesmo tomar banho. Era horrível. Perguntei a minha mãe se era mesmo preciso que aquilo acontecesse e quantos dias duraria. Ela me respondeu com a seguinte frase: se acostume meu amor, você está crescendo. Crescendo. Essa palavra ficou martelando na minha cabeça por horas. Então pra eu crescer eu precisava mesmo passar por isso? Maldita eu fui quando desejei crescer. O tempo mais uma vez passou, e como se já não bastasse aquilo lá, fui me deparando com um mundo que eu não conhecia. O famoso mundo real. O mundo que nós crianças não vemos, não conhecemos. Fiz novas amigas, as amigas que eu tanto queria. Sair de noite, dormir na casa delas ou elas dormirem na minha. Ir ao cinema, ao shopping. Só não chegava em casa tarde porque eu ainda não tinha idade pra isso. Mas aos poucos meu desejo estava se realizando. Veio minha primeira paixão. O meu primeiro amor. Eu estava abobalhada, parecendo uma idiota que sorria até pra uma pedra. O amor é mesmo lindo. Estava tudo indo muito bem até que veio a minha primeira decepção. O menino me deixou sem mais nem menos, sem me dar nenhuma explicação convincente. Corri pra minha mãe mais uma vez e ela me disse: a vida é assim mesmo, nós erramos e aprendemos. Você ainda vai se decepcionar muito com algumas pessoas, você vai se enganar, vai dar a volta por cima e mais uma vez vai se decepcionar. A vida é isso. É um ciclo que não acaba nunca. Mais uma vez eu pensei: como eu pude desejar crescer? Era tarde demais, não tinha como voltar. Eu simplesmente tinha que enfrentar e seguir. E eu segui. Pouco tempo depois me decepcionei demais com minhas “amigas” e com isso eu fui aprendendo. Minha mãe sempre me avisou, sempre me alertava das coisas que estavam prestes a acontecer, mas eu inocente, achava que era bobeira dela. Não precisava exagerar tanto. Mas, o que ela sempre me disse e eu nunca acreditei, a vida me fez questão de mostrar. Era uma decepção atrás da outra, preocupações com provas, trabalhos, escolas, etc. Isso tudo estava me enlouquecendo e, em meio a todas essas coisas, eu me lembrava do que minha mãe sempre me dizia: aproveite muito a sua infância e não queira crescer tão rápido, a vida não é como você imagina. E realmente não é. Eu imaginava um mundo totalmente diferente, onde pessoas não sofriam, não eram machucadas. Onde amizades duravam para sempre. Onde casais de namorados se divertiam e não brigavam nunca. Onde o “eu te amo” era verdadeiro e dito do coração e não da boca pra fora. Onde o “pra sempre” realmente existia e não durava apenas alguns dias ou semanas. Onde não havia tantas coisas que eu pudesse me preocupar. Mas, sem outra alternativa, eu segui em frente. Sempre errando e aprendendo. Sofrendo, chorando, com dores, em momentos e situações que pareciam que o tempo tinha parado pra mim. Eu caminhava, caminhava, mas não saia do lugar. Tive momentos em que eu o que eu mais queria era morrer pra acabar com toda aquela dor e sofrimento. Passei por situações que nunca imaginei passar. Já me senti como se eu estivesse em um cômodo pequeno com uma porta à minha frente e com um enorme leão morto de fome atrás de mim. A porta era um buraco que não tinha fim, ou seja, se eu caminhasse para frente, cairia no buraco e morreria. E, se eu andasse para trás, o leão me devoraria. Simplesmente não tinha saída. Mas, também venci coisas que jamais imaginei que venceria. Eu superei todas essas coisas, eu passei por tudo isso sempre com um sorriso no rosto embora dentro de mim estivesse um mar de dor e sofrimento. E sabe, feliz eu era quando era criança e não tinha nenhuma preocupação ou decepção. Se eu soubesse que a vida era mesmo tão difícil, eu não desejaria crescer tão rápido.

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